terça-feira, 2 de julho de 2019

Tasso admite possibilidade de união com PDT; PT ignora


O anúncio do pacote de obras para Fortaleza, estimado em R$ 1,5 bilhão, teve também dimensões políticas. Isso porque o senador Tasso Jereissati (PSDB) considerou a possibilidade de caminhar com os pedetistas nas eleições municipais da Capital em 2020. Além disso, o titular da Secretaria do Governo (Segov) de Roberto Cláudio, Samuel Dias, comandou o evento. Ele é um dos nomes cotados à sucessão do prefeito. As obras, inclusive, ficarão sob guarda-chuva da pasta dele.

Dias ocupou a Secretaria da Infraestrutura nos primeiros quatro anos da gestão Roberto Cláudio. A mudança para Segov, após a reeleição, já foi vista como uma movimentação de fortalecimento do secretário dentro do governo.

O mesmo palco, o do Teatro São José, reuniu ontem ao lado de RC, além de Tasso e Samuel Dias, o governador Camilo Santana (PT), o ex-ministro Ciro Gomes, o presidente da Assembleia Legislativa, José Sarto — os dois últimos do PDT.

Apartados em 2010, mas com relação pessoal reatada ao fim de 2018, Ciro e Tasso trocaram elogios. O pedetista qualificou o tucano como um dos "maiores cearenses de todos os tempos." Depois, Tasso definiu Ciro como "velho amigo", apesar das diferentes concepções políticas.

Durante coletiva de apresentação do pacote, ao falar sobre possibilidade de aliança, Tasso afirmou "tudo pode acontecer, tudo pode acontecer." E deu a condição: "desde que haja convergência de projetos e ideias, é possível."

Ainda na divulgação do pacote de obras, propagado como o maior da história da Capital, Sarto, também tratado como uma das possibilidades do PDT para 2020, ressaltou a importância da coesão em torno de um projeto político. Tasso, ele disse, é exemplo disso. "É político de estatura acima da média brasileira. Independente do partido, ele tem compromisso com o Ceará, tem compromisso com Fortaleza", elogiou.

Nome tucano posto como pré-candidato para o próximo ano, o ex-deputado Carlos Matos acha natural a afirmação de Tasso, embora diga haver abertura para conversas também com Capitão Wagner (Pros). A respeito da costura de acordo com o PDT, ele disse ser possível. "Desde que eles repensem algumas políticas, dá pra conversar." Para Matos, não dá para analisar os índices de segurança e saúde e concluir que está tudo normal em Fortaleza. Matos citou ainda outro ponto que torna a união com o PDT possível: "não dá pra deixar porta aberta para o PT".

Dos principais articuladores petistas no Estado, o deputado federal José Guimarães não acredita na viabilidade da junção entre as legendas. "O PSDB participou do 'golpe', o PDT participou dos governos do PT", diferencia Guimarães. A respeito da impossibilidade de conversa relatada por Matos, o petista responde que ele "não tem qualquer predicado pra falar do PT."

Guimarães adianta que, independente de a possibilidade prosperar ou não, o PT colocará um nome forte para disputar a preferência do eleitor em Fortaleza. Colega de Câmara, Luizianne Lins é o nome priorizado internamente. Ele menciona ainda o também federal José Airton e estadual Elmano de Freitas, além do próprio.

O presidente municipal do PT, Deodato Ramalho, alega que a discussão interna se intensifica, de fato, após o dia 8 de setembro, quando a legenda elege nova diretoria. Questionado sobre um cenário de aliança entre o partido de RC e o de Tasso, acha normal. Segundo ele, líderes do PDT e o tucano têm aliança histórica, que se descolou em razão de "interesses de momento." "Quem comanda o PDT na Ceará não tem a raiz trabalhista. É em quem o PSDB tenta se agarrar. Nesse sentido é o PSDB atrás de uma tábua de salvação.

(Colaborou Italo Cosme/Especial para O POVO)

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