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segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Greve de fome do jornalista cearense preso por Alexandre de Moraes preocupa direção do presídio

 


Em greve de fome desde a prisão, no dia 3 de setembro, a situação da saúde do jornalista cearense Wellington Macedo preocupa a direção da Penitenciária do Distrito Federal II (Papuda 2) em Brasília, onde se encontra preso.

Apenas bebendo água (e água da torneira), o jornalista está sem comer há 15 dias. De cabelo e barba grandes, cerca de 10 quilos mais magro, Wellington Macedo estaria bastante deprimido e quase irreconhecível.

A gravidade do caso já chamou atenção do diretor da penitenciária. O delegado Johnson Kenedy Monteiro teria ido cinco vezes na cela do jornalista para demovê-lo da greve de fome. Wellington, evangélico, pediu (e recebeu) apenas uma Bíblia Sagrada, que passa o dia a ler em silêncio.

Aos advogados, Wellington Macedo falou muito bem do tratamento que recebe dos agentes prisionais. Jornalista investigativo, com muitos amigos no mundo policial, recebeu o apoio de muitos policiais militares que foram até a penitenciária prestar solidariedade e garantir proteção. O fraterno acolhimento dos policiais, faz Wellington Macedo sentir “um pouco melhor”, mas o clima é inconsolável.

O jornalista está incomunicável. Não recebe visitas nem da família. E até agora teve apenas dois contatos com seus advogados — um presencial, no dia 4/09, quando escreveu bilhete para a esposa Andressa Aguiar; e outro por videoconferência, no dia 18/09, quando apareceu debilitado e com aspecto muito abatido.

A videoconferência não foi gravada por proibição judicial. E nem print foi permitido fazer. Wellington chamou a penitenciária de “pior lugar do mundo” e insistia “não ter cometido nenhum crime para continuar preso”. Afirmou também escutar todos os dias brigas entre detentos; não conseguir dormir; e que lhe restava ler a Bíblia.

Aos advogados, Wellington Macedo também negou o fim da greve de fome. “Ponha-se no lugar do Wellington”, comenta amigo de longas datas, “primeiro, ele ainda não teve acesso aos autos da acusação; segundo, essa acusação estaria baseada na Lei de Segurança Nacional, como outros casos do mesmo inquérito; terceiro, essa lei de Segurança Nacional não existe mais, foi recentemente revogada; quarto, não há a quem ou onde recorrer.”, conclui.

O quadro é sufocante. É desconhecida a acusação. E o processo, além de parado, está sem grau de recurso. Por isso, a depressão é crescente. Com a saúde de Wellington Macedo debilitada devido a greve de fome, agora seus advogados preparam petição por documentos médicos sobre o quadro de saúde do jornalista, com vistas a um terceiro pedido de soltura.

Já foram impetrados dois pedidos de soltura. Um, por meio de habeas corpus, foi protocolado logo que ele foi preso, mas negado pelo ministro Luís Roberto Barroso, que alegou não poder suspender decisão monocrática de outro colega ministro. O outro, um pedido de relaxamento de prisão, foi protocolado no dia 13/09. Endereçado ao ministro Alexandre de Moraes, encontra-se ainda sem sentença.

(Portal Paraíso)

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