sábado, 17 de novembro de 2018

Prefeito e governador consideram preocupante saída de médicos cubanos

Gestores cearenses manifestaram apreensão diante da saída dos cubanos do programa Mais Médicos. A avaliação é de impactos epidemiológicos, principalmente nas áreas de maior vulnerabilidade social e de difícil acesso. O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), e o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), definiram, ontem, como preocupante o fim do acordo entre Brasil e Cuba.
Roberto Cláudio, também vice-presidente da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), fez apelo para que o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) faça uma nova negociação. "A minha posição é ser contrário a essa decisão.
Demonstrar que há uma gravidade e seriedade muito grande, que deverá afetar, principalmente, a saúde das populações mais pobres no Brasil.
Estamos, em nome da Frente dos Prefeitos, fazendo um apelo para que haja uma revisão da decisão", afirmou o prefeito no lançamento de Parceria Público-Privada para reforma e manutenção de prédios das escolas municipais.
O presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Glademir Aroldi, já havia divulgado nota na quinta-feira, 15, ressaltando a preocupação dos prefeitos das cidades com menos de 20 mil habitantes com a saída dos 8,5 mil profissionais cubanos que atuam no Mais Médicos. A entidade alerta para o risco de mais de 28 milhões de pessoas ficarem desassistidas.
Em página oficial no Facebook, Camilo Santana criticou a medida: "Isso deverá causar um enorme prejuízo, principalmente em alguns municípios onde os médicos cubanos desempenham importante papel nas unidades básicas de saúde. Não se pode tomar medidas de tamanha relevância e impacto à revelia de estados, municípios e, principalmente, do povo que é diretamente atingido".
Ao todo, no Ceará, 118 municípios são assistidos por 448 profissionais de Cuba. Sobre as implicações no serviço de saúde da Capital, que conta com 15 médicos cubanos, Roberto Cláudio informou que o impacto está sendo calculado e que irá buscar soluções alternativas, caso a decisão se confirme no próximo dia 25, quando prevê-se que os médicos deverão retornar ao país, gradualmente, até 25 de dezembro.
Henrique Javi, titular da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), afirmou que comissões de secretários de saúde dos estados e dos municípios já se manifestaram e cobram do Ministério da Saúde (MS) um posicionamento. Para ele, há uma necessidade de abertura de diálogo com a Organização Pan Americana da Saúde (Opas), mediadora do acordo do Mais Médicos com Cuba.
O ministro Gilberto Occhi disse ontem que o MS deve lançar na semana que vem o edital para preencher as vagas do programa depois que o governo de Cuba anunciou a saída dos profissionais.

MINISTRO
Gilberto Occhi disse que vai sugerir à equipe de transição substituir as vagas abertas com a partida dos cubanos no programa Mais Médicos por profissionais formados com recursos do Fies.