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sábado, 30 de maio de 2020

Inteligência pessoal de Bolsonaro monitora infiltrados no governo, diz a Veja


Um dos primeiros requisitos para ocupar um cargo no governo Bolsonaro é não ter fotos, mensagens nas redes sociais e nenhum registro de ligação com o PT ou com partidos de esquerda. O currículo do candidato, ainda que seja brilhante, só é analisado numa segunda etapa. A nomeação só será efetivada se não for constatado nenhum vínculo com legendas de oposição. Essa triagem, conforme VEJA revelou em sua atual edição, é chamada de “compliance” pela inteligência pessoal do presidente da República.

Um dos responsáveis por fazer esse pente-fino é o coronel do Exército Marcelo Costa Câmara. De uma sala no terceiro andar do Palácio do Planalto, a poucos metros do gabinete de Jair Bolsonaro, o militar cumpre missões de vasculhar a vida de indicados para cargos estratégicos no governo. O objetivo dessa devassa é evitar que ocorram sabotagens e escândalos de corrupção.

Como o presidente não confia na Agência Brasileira de Inteligência (Abin), porque acha que em seus quadros há pessoas ligadas ao PT, cabe ao coronel Câmara fazer um levantamento detalhado da vida pregressa de cada candidato.

No ano passado, o espião de Bolsonaro descobriu que um funcionário terceirizado da Casa Civil mantinha em seu Facebook uma foto ao lado da ex-presidente Dilma Rousseff. O profissional acabou sendo demitido. Mais recentemente, coronel Câmara foi incumbido de bisbilhotar a vida das nomeações feitas pela então secretária de Cultura, Regina Duarte. O foco dessa missão era evitar que pessoas ligadas à esquerda ocupassem cargos relevantes na pasta.

Para cargos do baixo escalão, coronel Câmara só é acionado quando recebe uma demanda específica do presidente. Em geral, Bolsonaro recebe notícias ou informações em seu WhatsApp — e pede para o seu agente pessoal de inteligência “verificar a situação”.

O processo de “despetização” é uma diretriz dada por Bolsonaro desde o início de seu governo. Em janeiro de 2019, o então ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, exonerou cerca de 320 servidores em cargos de comissão (de livre escolha) que trabalhavam em gestões passadas. O intuito disso era seguir uma recomendação do presidente de ser livrar de “amarras ideológicas”. “A gente exonera e depois a gente conversa”, disse Lorenzoni naquela época.

Presidente da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI), o senador Nelsinho Trad (PSD-MS) disse que irá apurar o caso junto com outros parlamentares. “O presidente não pode utilizar a estrutura da administração pública para levantar informações do seu interesse pessoal ou para fazer uma perseguição ideológica”, afirma ele. “Alguns partidos me procuraram e estamos analisando quais deverão ser as medidas tomadas na próxima reunião da CCAI, em junho”, diz Trad.

(Revista Veja)

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