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quinta-feira, 18 de março de 2021

Suplente do senador Major Olímpio tem negócios em Juazeiro do Norte e é conhecido por ostentação


O anúncio da morte cerebral do senador Major Olímpio (PSL-SP), nesta quinta-feira, 18, motivou reações solidárias de todas as esferas da política, mas também tem gerado polêmicas quanto ao nome que assumirá o posto deixado pelo parlamentar: quem é Alexandre Giordano?

Chamado de “fantasioso”, “galanteador quando quer negociar” e “vendedor de fumaça”, Giordano é um empresário paulista descrito como alguém “sem boa oratória nem afinidade com falas públicas”, mas também é conhecido pela e ostentar riqueza. O agora senador costuma exibir relógios da marca suíça Rolex, ternos da grife Camargo Alfaiataria, uísques caros e até um helicóptero, seu meio de transporte preferido.

Negócios no Ceará

A ostentação foi relatada por uma fonte ao Focus que conheceu Giordano na região do Cariri. “Ostentava pra caramba. Emprestava helicóptero, andava de Hummer por Juazeiro (do Norte), pense. Achei bem intrigante pois não conseguia identificar de onde vinha aquilo. Há algumas semanas quando vi o Major Olímpio entubado, resolvi pesquisar quem era o suplente e tomei foi um susto quando vi a figura, e mais ainda quando puxei a ficha. Acho que nem ele esperava virar Senador”, disse.

É justamente Ceará, aliás, onde estão registradas as sedes de duas de suas companhias: A Lobel Indústria, Comércio, Importação e Exportação de Metais e a Multi Mineração – ambas em Juazeiro do Norte. Além delas, ele também é proprietário da Indústria Brasileira de Estrutura Metálicas (Ibef) e a Família Giordano Indústria & Comércio, sediadas em São Paulo.

Ganhando holofotes

Em julho de 2019, o nome de Giordano saiu da discrição dos bastidores e ganhou holofotes após a repórter Mabel Rehnfeldt, do jornal ABC Color, do Paraguai, revelar que o empresário teria feito ao menos duas viagens ao país para negociar às escuras a compra de energia excedente da usina hidrelétrica de Itaipu.

Nos encontros,  Giordano teria falado em nome da família do presidente Jair Bolsonaro (agora sem partido, mas que era membro do PSL, à época) para beneficiar a Léros, uma empresa de energia até então tão pouco conhecida, segundo participantes da reunião disseram à imprensa paraguaia. A operação teria causado um prejuízo de US$ 200 milhões aos cofres do país vizinho e quase causou o impeachment do presidente paraguaio Mario Abdo Benítez.

Relação com Major Olímpio

Meses depois, em setembro de 2019, Major Olímpio falou sobre o seu suplente:  “Eu sei que ele trabalha fazendo estruturas metálicas para poste, com lixo e esses ‘trecos’ todos. Mas não sou sócio dos negócios dele e ele não é sócio do meu mandato. Ele só vai ser senador se eu morrer ou renunciar; e eu não estou pretendendo nenhuma das duas coisas“, disse o senador.

Em agosto do mesmo, a revista Época publicou uma matéria com o empresário. Na ocasião, a publicação relatou a presença, na mesa de Giordano — onde ele costumava passar a maior parte do tempo —, de duas imagens de Nossa Senhora Aparecida; três bonecos de Don Corleone, o mafioso representado por Marlon Brando na trilogia O Poderoso Chefão (The Godfather), filme de Francis Ford Coppola; e um de Ernesto Che Guevara, líder revolucionário argentino que não costuma ser muito apreciado por seguidores do Major Olímpio e do presidente Jair Bolsonaro.

Questionado sobre a presença de Che Guevara em sua mesa, Giordano exclamou: “O Olímpio não é meu patrão. Ele, o Bolsonaro, têm de trabalhar muito para ser meu patrão”.

Declaração de bens

Como 1º suplente — o ministro e Ciência e Tecnologia Marcos Pontes era o 2º suplente —, Alexandre Giordano declarou, à Justiça Eleitoral, possui 1,5 milhão de patrimônio, entre bens, como motos aquáticas e veículos, e participação societária em empresas.

Lista de bens declarados em 2018:

Moto aquática Pérola Negra: R$ 620.000,00;

Moto aquática Star 6: R$ 35.000,00;

Participação societária na Família Giordano Indústria e Comércio: R$ 920,00;

Participações societária na IBEF – Indústria Brasileira de Estrutura de Ferra: R$ 100,00;

Participações societária na Lobel Indústria, Comércio, Importação e Exportação de Metais: R$ 570.000,00;

Participações societária na Multimineração Extração de Minérios: R$ 247.500,00;

Caminhão Mercedes-Benz 1973: R$ 30.000,00;

Veículo I Smart 2009: R$ 30.000,00.

(Átila Varela/Ronnald Casemiro/ Equipe Focus)

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