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| Evaristo Sá (AFP) |
A ação ocorre um dia após o senador deixar o Brasil, depois que Moraes havia determinado a entrega de seus passaportes, e enquanto Flávio e sua família viajavam para os Estados Unidos.
Segundo investigadores, um dos locais alvo da operação seria a mansão do parlamentar em Brasília. O objetivo dos investigadores é recolher documentos e equipamentos eletrônicos que possam auxiliar na apuração sobre lavagem de dinheiro, especificamente no contexto de negócios envolvendo casas de apostas.
Saída do país e ordem de passaportes
A operação da PF ocorre após a divulgação de que Flávio Bolsonaro deixou o Brasil depois que o ministro Alexandre de Moraes determinou a entrega dos passaportes do parlamentar. A decisão judicial foi tomada no âmbito da investigação sobre a possível ligação do senador com negócios envolvendo casas de apostas do advogado Willer Tomaz.
Flávio Bolsonaro e sua família viajaram para os Estados Unidos na manhã desta quarta-feira (28). O voo partiu da Argentina, fez breve escala no Equador e seguiu com destino a Miami, com previsão de chegada ao aeroporto Opa-locka Executive.
O governo dos EUA afirmou na terça-feira (27) que emitirá vistos para Flávio e sua família, permitindo a entrada no país, segundo declaração do próprio governo americano. O presidente Donald Trump, por sua vez, voltou a afirmar, sem provas, que houve fraude na eleição brasileira em que Flávio Bolsonaro perdeu para Lula, e disse aprovar a ida do senador aos EUA, segundo Trump.
As investigações contra o senador
Flávio Bolsonaro é alvo de dois inquéritos que tramitam no STF, com relatores distintos e objetos diferentes. O primeiro, sob relatoria do ministro André Mendonça, investiga o parlamentar pela possível prática de crimes relacionados ao financiamento da produção do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Essa apuração mira repasses feitos por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, à produção do longa.
O segundo inquérito, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, apura se o senador cometeu lavagem de dinheiro por meio de uma casa de apostas. Nesse caso, a PF quebrou o sigilo telemático do advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio, e encontrou e-mails que apontam o senador como “usuário master” de uma conta bancária da empresa Alcazar Holdings, de propriedade de Tomaz, segundo relatório da PF. O mesmo relatório afirma haver “elementos indicativos de vínculo de controle ou propriedade de fato de Willer Tomaz sobre a Rede Loto”, empresa que obteve autorização para explorar apostas esportivas no Rio de Janeiro. A estrutura financeira descrita pelos investigadores sugere o uso de pessoas jurídicas interpostas para movimentar recursos de forma opaca.
Os documentos e equipamentos eletrônicos recolhidos nas buscas desta quarta-feira (28) devem alimentar diretamente as investigações em curso no STF, em especial o inquérito sobre lavagem de dinheiro com casas de apostas. A partir dos dados coletados, a apuração sobre a Rede Loto e sua conexão com Willer Tomaz pode ganhar novos desdobramentos. (Reviosta Fórum)
