A jovem, moradora do bairro Pirambu, conta que desde o 9º ano do Ensino Fundamental vinha se preparando para buscar oportunidades. “Comecei oficialmente os processos de inscrição em dezembro de 2025, quando participei de reuniões e entrevistas com representantes das universidades, enviei cartas de apresentação e outros documentos. Entre todas as instituições que busquei, a que tenho preferência é por Harvard, por ser uma universidade que tem currículo reconhecido em todo o mundo e se compromete com o futuro do aluno”, observa.
Filha de mãe analfabeta, Rute sempre procurou valorizar os estudos e o esforço da família em proporcionar-lhe melhores condições de vida. “Minha mãe trabalha como camareira e faz faxina. Ela diz: ‘vocês têm a oportunidade que eu não tive’, referindo-se a mim e ao meu irmão mais novo. Sempre recebi muito apoio da minha família e da escola. Por isso, meu diploma não será só meu, mas da família toda. É o esforço de toda uma geração”, ressalta Rute.
Paralelamente ao bom desempenho acadêmico na unidade de ensino, Rute cursou durante dois anos o Centro Cearense de Idiomas – Unidade Kennedy. Além disso, utilizou o recurso do programa Pé-de-Meia para pagar cursos extras preparatórios.
Em meio à expectativa de cursar uma faculdade fora do Brasil, Rute também alimenta o sonho de cursar Medicina na Universidade Federal do Ceará (UFC) pensando em, mais adiante, tornar-se neurocirurgiã. Caso obtenha a vaga na instituição cearense, após a aprovação no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a estudante diz que optará por ficar na terra natal. “Se passar no Enem, pretendo ficar aqui, porque acho muito importante estar no nosso estado e ser valorizado por isso”, argumenta.
