O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, indicou a interlocutores do setor empresarial que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6x1 poderá ser revisada pelo Congresso em um eventual governo, a depender dos efeitos da redução da jornada sobre o emprego e a atividade econômica. A possibilidade de ajustes é discutida no entorno do senador, que anunciou publicamente na terça-feira voto favorável à medida, após meses de críticas à proposta.
Horas depois, em um encontro com representantes da indústria, do comércio, dos serviços e do agronegócio, em São Paulo, Flávio sinalizou, segundo interlocutores, em conversas reservadas, que pretende acompanhar os impactos da mudança no início de sua implementação.
A avaliação do candidato e de seus assessores econômicos é de que a implementação das novas regras exigirá uma série de ajustes para acomodar as particularidades dos diferentes setores da economia. Nesse contexto, integrantes da equipe estudam a possibilidade de encaminhar ao Congresso projetos específicos para determinadas categorias, caso sejam identificadas dificuldades na aplicação da nova jornada. A discussão, no entanto, ainda é embrionária, sem definição sobre quais atividades seriam contempladas ou quais mudanças poderiam ser propostas. Procurada para comentar, a campanha de Flávio não se manifestou.
A mudança de posição também provocou uma série de contatos de empresários com Flávio. Segundo interlocutores, representantes do setor produtivo telefonaram ao senador para dizer que compreendem a decisão de apoiar a PEC, diante do cenário eleitoral, mas ressaltaram que, em um eventual governo, ele terá de enfrentar uma série de problemas que afetam a atividade econômica, incluindo os efeitos da redução da jornada. O recado foi de que o apoio à proposta não elimina a necessidade de buscar soluções para os custos adicionais impostos às empresas.
A sinalização ocorreu em meio à preocupação de setores empresariais com os custos da redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial. Nos bastidores, aliados de Flávio avaliam que o apoio à PEC não impede que eventuais ajustes sejam discutidos pelo Congresso no próximo ano, caso o senador vença a eleição. A possibilidade de revisão também é considerada diante da resistência de parte do setor produtivo à mudança, especialmente em atividades que dependem de funcionamento contínuo e de escalas aos fins de semana.
Na terça-feira, Flávio participou do Grande Encontro do Associativismo, realizado no Clube Monte Líbano, na capital paulista, onde conversou pessoalmente com lideranças empresariais. Entre os participantes estavam Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Tirso Meirelles, da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), e Alfredo Cotait Neto, da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB). Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e porta-voz econômica do candidato, também participou do evento.
(Globo)
