Por: Leopoldo Martins
Advogado
Membro Efetivo da Comissão Eleitoral da OAB/CE
Membro Consultivo da Comissão Eleitoral da CF0AB.
Em Crato/, o novo mercado Wilson Roriz não abre nem com reza brava. A obra parece pronta, a placa existe, o prédio está lá, mas as portas continuam fechadas. Já tem gente desconfiando que a inauguração depende de lua cheia, autorização do além ou de o fantasma responsável pela obra finalmente bater o ponto.
Batizado informalmente de Mercado da Assombração, o equipamento fica no cruzamento das ruas Nelson Alencar e Monsenhor Esmeraldo. Foi construído para substituir o antigo mercado, demolido sob a promessa de uma estrutura moderna, bonita e ampla.
A previsão inicial era outubro de 2025. Depois, o prefeito André Barreto mudou o discurso: a culpa seria da concessionária de energia do Estado do Ceará. Vieram reuniões, explicações e, finalmente, uma nova promessa: inauguração em junho de 2026.
Junho passou. Julho passou. Agosto chegou. E nada.
O mercado continua mais fechado que cofre de avarento.
Na Praça do Meio Sem Língua Pressa, já tem frequentador comparando o equipamento a Cococi, a famosa cidade-fantasma dos Inhamuns. A diferença é que Cococi ficou abandonada; o Mercado da Assombração parece ter sido inaugurado para ficar fechado.
E a história fica ainda mais curiosa quando se olha para o projeto do Mercado Wilson Roriz. Segundo informações apresentadas na Câmara, a reforma milionária pretende transformar o antigo espaço popular em uma espécie de mercado gourmet e de artesanato, com praça de alimentação para 248 pessoas, auditório para 56 e salas de capacitação em parceria com SEBRAE/SENAC.
Tudo muito moderno. Só esqueceram de responder uma pergunta antiga: e os feirantes?
Na sessão de 10 de novembro de 2025, o vereador Luiz Carlos revelou o dado que fez muita gente engolir seco: aproximadamente 400 permissionários para apenas 16 vagas.
É o vestibular da feira: 400 candidatos, 16 aprovados e 384 especialistas em “aguarde a próxima oportunidade”.
A reforma pode ter ampliado o espaço para gastronomia, artesanato, eventos e capacitação, mas reduziu os pontos destinados aos comerciantes tradicionais.
No fim, o Município do Crato conseguiu uma façanha: construiu um mercado que tem praça gourmet, auditório, salas de capacitação e muita promessa.
Só não tem freguês — porque ainda não abriram a porta.
E, pelo andar da carruagem, talvez seja melhor o povo levar lanterna. Afinal, ninguém sabe quando o Mercado da Assombração vai deixar de ser promessa e virar realidade.
