terça-feira, 21 de julho de 2026

Artigo - O esvaziamento da filiação partidária entre os jovens no Crato


Por Leopoldo Martins

Advogado

Membro Consultivo da Comissão Eleitoral da CFOAB 

Membro Titular da Comissão Eleitoral da OAB/CE


Um levantamento da Universidade de Brasília revelou que, em dezesseis anos, os partidos políticos perderam quase 1,5 milhão de filiados jovens no Brasil. No Crato, esse fenômeno também merece reflexão. Mais importante do que medir o afastamento dessa geração é compreender por que ela deixou de enxergar nas legendas um espaço legítimo de participação.

A resposta não está na juventude, mas na crise institucional dos próprios partidos. Em vez de representar interesses sociais, muitas siglas passaram a priorizar projetos pessoais, disputas internas e interesses corporativos. No âmbito local, consolidou-se a percepção de estruturas controladas por grupos permanentes, resistentes à renovação e pouco abertas ao diálogo.

Partidos são pilares da democracia representativa. Devem organizar ideias, formar lideranças e mediar, de forma pacífica, os diversos interesses da sociedade. Quando deixam de cumprir essa missão e passam a funcionar como verdadeiros cartórios políticos, com baixa democracia interna e pouca vida orgânica, perdem sua principal razão de existir.

A juventude, conectada e crítica, dificilmente se identifica com organizações fechadas e distantes da realidade contemporânea. Para agravar o cenário, a polarização transformou a filiação partidária em rótulo ideológico, substituindo o debate de propostas pela lógica das torcidas organizadas.

Os jovens demonstram maturidade ao rejeitar esse modelo. Exigem coerência, transparência, participação e renovação. O desafio está lançado aos dirigentes políticos cratenses: abrir espaço para novas lideranças, democratizar decisões e recuperar o espírito republicano. Sem mudanças profundas, os partidos continuarão perdendo justamente aqueles que deveriam garantir seu futuro: jovens que desejam participar da vida pública, mas não aceitam servir apenas como espectadores de velhas práticas políticas.

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