terça-feira, 13 de outubro de 2026

Meta admite falhas e remove sete perfis irregulares após ação da coligação de Lula no TSE


Em resposta à Justiça Eleitoral, empresa reconheceu bloqueio indevido de anúncios e erro na contagem de visualizações. Para a campanha, esclarecimentos ainda deixam dúvidas sobre transparência e igualdade de tratamento nas redes.


Foi preciso acionar a Justiça Eleitoral para que sete contas identificadas como irregulares fossem retiradas das plataformas da Meta, empresa de tecnologia que é dona das redes Facebook, Instagram, WhatsApp e Threads. A informação consta da manifestação apresentada pela empresa ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesta terça-feira (13/10), em resposta à ação da Coligação Brasil Pronto pra Mais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No documento encaminhado ao ministro Marco Aurélio Bellizze, a Meta reconheceu três ocorrências questionadas pela coligação. A desativação indevida da conta de anúncios da campanha de Lula, em 23 de setembro; uma falha técnica na contagem de visualizações dos Reels do Instagram, em 7 de outubro; e a permanência de sete contas que violavam as regras da plataforma, posteriormente removidas durante a apuração provocada pelo processo.

A empresa informou que o bloqueio da conta de anúncios foi resultado de um erro em seus mecanismos de identificação de fraudes e que o acesso foi restabelecido depois de pouco mais de uma hora. Sobre as visualizações, alegou que o problema atingiu usuários de mais de cem países e não prejudicou a distribuição dos conteúdos.

O terceiro ponto envolve a identificação de perfis irregulares. A coligação havia levado à Justiça informações sobre uma suposta rede de 255 contas associadas à disseminação de conteúdos e práticas de desinformação. A Meta analisou 35 perfis identificáveis no material citado na ação e informou ter desativado sete deles durante a investigação, seis por reincidência em violações e um por identidade enganosa. Outros quatro já estavam indisponíveis.

Para o secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, a manifestação confirma problemas apontados pela campanha, mas não esclarece todas as dúvidas sobre o funcionamento das plataformas durante as eleições. Ele também questionou a dimensão das irregularidades ainda não identificadas e a possibilidade de diferenças no tratamento dispensado às candidaturas. “Quantas contas irregulares ainda existem? Quantas estão ativas? Esse tipo de problema técnico atinge a campanha de Lula e a campanha de Flávio de forma igual ou tem desequilíbrio?”, perguntou.

Para Éden, a resposta mostra a necessidade de fiscalização e de informações mais claras sobre os critérios adotados pelas plataformas. “Não vamos abrir mão de denunciar, de entrar com representação, com ação judicial. Não vamos parar de lutar por transparência”, declarou. O secretário citou a mobilização nas ruas e nas redes durante o segundo turno, citando as manifestações na Avenida Paulista e em Copacabana e a participação de mais 1,4 milhão de pessoas no canal de Lula no WhatsApp, como motivos para que a empresa aja com desequilíbrio entre as campanhas. “Nós não vamos aceitar nem censura, nem parcialidade. As redes sociais definitivamente não podem ser armas contra a cidadania, contra a soberania e contra a democracia”, concluiu.

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