quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Lula defende mandatos para ministros e cobra Fachin para “abrir tudo para saber quem fez o quê” no STF



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta terça-feira (15), uma “reforma profunda” no Poder Judiciário, com mudanças nos mandatos e nos critérios de escolha de ministros do Supremo Tribunal Federal, e cobrou que o presidente da Corte, Edson Fachin, utilize as informações obtidas com a quebra de sigilo para apurar com rigor o caso Banco Master.

As declarações foram dadas em entrevista ao Jornal da Record, no mesmo dia em que o STF iniciou e interrompeu o julgamento sobre suposto envolvimento de ministros com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraude bancária, após pedido de vista do ministro Flávio Dino adiar a decisão por até 90 dias.

Em tom direto, Lula foi além da cobrança pontual por investigação e colocou na mesa uma pauta estrutural: a necessidade de reformar o próprio desenho institucional do Judiciário brasileiro. “Eu acho que nós temos que ter uma reforma profunda no Poder Judiciário, em que a gente discuta o tempo de mandato, o critério de escolher o candidato, como é que a pessoa pode ser escolhida”, afirmou o presidente, acrescentando que os critérios de indicação de juízes de outras instâncias também precisam ser revistos.

A crítica mais incisiva mirou a participação de parentes de ministros em processos que tramitam na própria Corte. Sem citar o nome de Alexandre de Moraes diretamente nesse ponto, Lula fez referência explícita ao caso do escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, que mantinha contratos de R$ 131 milhões com o Banco Master, instituição cujo fundador, Daniel Vorcaro, está preso por fraude bancária. “As pessoas não podem estar no Poder Judiciário e um filho advogando, uma mulher advogando, o pai advogando na própria Suprema Corte. É preciso criar critério de moralização do Poder Judiciário brasileiro”, disse o presidente. “Quem estiver no Poder Judiciário não pode querer ficar rico.”

Sobre as investigações em curso, Lula foi categórico ao cobrar o presidente do STF. “A Suprema Corte agora já está dotada de todas as informações. O sigilo foi quebrado. Portanto, o Fachin tem agora a faca e o queijo na mão para abrir tudo e saber quem fez o quê na Suprema Corte. E quem fez tem que ser punido, tem que ser julgado”, declarou. Para Lula, a credibilidade da instância máxima da Justiça brasileira está em jogo: “Não há como o povo brasileiro ficar vendo uma Suprema Corte perder credibilidade na sociedade”.

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