terça-feira, 14 de abril de 2026

CPI do Crime Organizado: relator pede indiciamento de ministros do STF



O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado pede o indiciamento dos ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por crime de responsabilidade. Além dos três, o pedido inclui o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Todos por Crime de responsabilidade.

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) apresentou o relatório.A peça também consolida o diagnóstico da comissão sobre a expansão das facções no país, a infiltração dessas organizações no Estado e a necessidade, segundo o relator, de uma resposta institucional mais dura e coordenada.

O documento foi elaborado após 120 dias de funcionamento, o relatório afirma que a CPI realizou 18 reuniões, analisou 134 documentos e recebeu 312 requerimentos. O texto sustenta que, apesar do prazo curto, do orçamento limitado e de sucessivas restrições impostas ao trabalho da comissão, foi possível reunir elementos para traçar um panorama do crime organizado no Brasil e formular propostas legislativas e administrativas.




No capítulo mais sensível politicamente, a CPI pede o indiciamento de Toffoli, Moraes, Gilmar Mendes e Paulo Gonet. Segundo o relatório, Toffoli teria atuado em situações de suspeição e mantido condutas que, na avaliação da comissão, indicariam conflito de interesses. Moraes é citado por suposta atuação em processos nos quais haveria impedimento e por decisões que, segundo o documento, restringiram o alcance das apurações. Gilmar Mendes é acusado pela CPI de ter anulado medidas investigativas e determinado a inutilização de dados relevantes. Já Gonet é apontado por suposta omissão diante de indícios considerados robustos pela comissão. As conclusões constam do relatório da CPI e não representam decisão judicial.

O documento afirma que os pedidos de indiciamento estão relacionados ao caso Master, tratado como um dos eixos centrais da investigação. Na visão do relator, a apuração revelou indícios de conexão entre o sistema financeiro e estruturas de lavagem de dinheiro ligadas ao crime organizado. Vieira sustenta que, diante da complexidade do episódio e da limitação de meios, a comissão optou por relatar os fatos identificados e concentrar, nesta etapa, o pedido de responsabilização de autoridades.

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