terça-feira, 17 de março de 2026

STF aponta que Gorete Pereira comprou imóvel de R$ 4 milhões e carro de luxo com dinheiro desviado de aposentados do INSS



O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), apontou a existência de provas e fortes indícios de que a suplente de deputada federal no exercício do mandato, Gorete Pereira (MDB-CE), teria utilizado recursos desviados de aposentados e pensionistas do INSS para adquirir um apartamento avaliado em mais de R$ 4 milhões e um veículo de luxo de mais de R$ 400 mil.

DA SUPLÊNCIA À CÂMARA

Segundo informações antecipadas pelo jornal O Globo, o imóvel teria sido comprado em nome de uma empresa de fachada, utilizada para ocultar a origem do dinheiro.

Ao disputar as eleições de 2022, Gorete Pereira ficou na quarta suplência da bancada do PL à Câmara Federal e, no ano passado, se filiou ao MDB.

Com o rodízio de parlamentares da bancada do PL do Ceará, ela assumiu no lugar do deputado Yuri do Paredão e passou a exercer o mandato na Câmara. Agora, é alvo da Operação Indébito, desdobramento da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que investiga um esquema nacional de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS, considerado o maior escândalo da história da Previdência Social brasileira.

PLANILHAS COM NOME DA DEPUTADA

O ministro André Mendonça afirma, em seu despacho, que os investigadores localizaram planilhas que a citam ao lado de “valores expressivos” que seriam destinados, como propina, para a deputada;

FORTES INDÍCIOS

“Há inúmeros indícios no sentido de sua participação nos crimes perpetrados contra o INSS mediante descontos indevidos nos benefícios previdenciários pagos por referida autarquia”, registrou o ministro.

De acordo com Mendonça, as investigações indicam ainda que a deputada mantinha contatos frequentes com servidores públicos, inclusive com o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, para credenciar junto ao instituto entidades controladas pela própria parlamentar.

CONTA PRÓPRIA

O ministro também apontou “indícios robustos” de que Gorete Pereira recebia, em sua própria conta bancária, vultosas quantias provenientes de empresas de fachada administradas por ela e por familiares. Essas empresas, segundo a investigação, seriam utilizadas para movimentar recursos desviados dos benefícios previdenciários.

A Polícia Federal chegou a pedir a prisão da parlamentar na nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada nesta semana, pedido que contou com parecer favorável do Ministério Público Federal. No entanto, o ministro André Mendonça decidiu não decretar a prisão, optando pela aplicação de medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica.

Segundo o ministro, a medida busca evitar que a investigada oculte bens, promova dilapidação patrimonial, atrapalhe as investigações ou continue na prática dos crimes apontados pela Polícia Federal.
 
(Ceara Agora)

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