Por Sandrinha Cavalcante.
Quem nasce em Juazeiro do Norte, ou quem escolhe esta terra para viver, sabe que a nossa identidade está profundamente ligada aos passos e ao legado do nosso Patriarca, o Padre Cícero Romão Batista. Por isso, falar da reinauguração do seu Memorial, que acontece neste dia 24 de março, durante a 44ª Semana Padre Cícero, é falar de algo que vai muito além de paredes, pisos ou fiação elétrica, é falar de respeito à nossa memória.
O sentimento hoje é de uma alegria misturada com um alívio profundo. Não posso esconder que ver esse equipamento de portas fechadas por tanto tempo me doeu como juazeirense. Infelizmente, enfrentamos percalços que fugiram do nosso controle direto. A interrupção dos repasses orçamentários pelo Governo do Estado, lá no final de 2023, travou um sonho que já deveria estar servindo ao nosso povo e à nação romeira. Foram momentos de angústia e de muita cobrança, porque sabemos que a cultura e a fé não podem esperar burocracia.
Mas a resiliência é uma marca do nosso povo. Não desistimos. Com um investimento de cerca de R$3 milhões, retomamos o que é nosso por direito. Ver o Memorial agora, com acessibilidade para todos e espaços expositivos dignos da grandeza do "Padim", é a prova de que o trabalho sério vence o descaso.
Este equipamento não é "da Prefeitura" ou "do Estado". Ele é do romeiro que atravessa estados para rezar aqui; é do estudante de Juazeiro que precisa conhecer suas raízes; é do turista que movimenta nossa economia e leva o nome do Cariri para o mundo. O Memorial é o guardião das lembranças de um homem que transformou o deserto em oásis.
Como filha desta terra, sinto uma emoção difícil de descrever ao participar deste momento. Acompanhei cada etapa, desde a preocupação com o revestimento do piso até a estrutura hidrossanitária, porque sei que o acolhimento está nos detalhes. Queremos que quem entre ali sinta-se em casa, sinta-se abraçado pela história.
Devolver o Memorial Padre Cícero para Juazeiro é um ato de superação. É dizer que, apesar dos entraves e das dificuldades políticas que por vezes tentam nos frear, a nossa fé e o nosso compromisso com o progresso da cidade são maiores. Nesta data, não estaremos apenas entregando uma obra, estaremos reabrindo as janelas da nossa história para que o mundo volte a contemplar a luz que o Padre Cícero acendeu em todos nós.
Juazeiro merece esse respeito. E eu, pessoalmente, sigo com o coração cheio de gratidão por ver nossa cidade avançar, sem nunca esquecer de onde viemos.
