quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Lula se reúne com Motta e Alcolumbre por taxa das blusinhas e prioridades

Vinícius Schmidt/Metrópoles


No esforço de destravar pautas prioritárias para o governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reúne, nesta quarta-feira (26/8), com os mandatários do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), em almoço no Palácio da Alvorada.

O encontro tem o objetivo de discutir, entre outras pautas, a medida provisória (MP) que acaba com a cobrança do imposto de importação para compras até US$ 50, a chamada “taxa das blusinhas”. Prestes a caducar, o texto ganhou foco total do governo para impedir a volta do tributo semanas antes das eleições.

Lula entrou pessoalmente na articulação para aprovar a proposta. Na última semana, ele viajou com Motta para cumprir agenda no Rio Grande do Norte (RN) e reforçar o movimento de reaproximação da cúpula do Congresso. O petista manteve reuniões com Alcolumbre, selando a trégua entre os líderes após meses de distanciamento.

A MP que zera a taxa das blusinhas foi assinada em maio pelo presidente após a avaliação de que a medida trouxe desgastes à popularidade do petista em meio à tentativa de reeleição. Embora a isenção ainda esteja em vigor, se o texto não for votado até 8 de setembro, perde a validade, e a alíquota volta a ser cobrada

O entorno do presidente teme que eventual retorno da taxa cause impactos à campanha de reeleição ao Planalto. Em entrevista no último domingo (23/8), Lula afirmou que o encontro com os líderes do Congresso garantirá o “fim da taxa das blusinhas”.

“Eu me reuni com o meu amigo Davi Alcolumbre. Quarta-feira tem uma reunião com ele, e vamos anunciar o fim da taxa das blusinhas, para as pessoas voltarem a comprar suas coisinhas”, relatou o petista durante entrevista à Record TV.

Publicamente, Lula tem feito a defesa do fim da cobrança e se diz “otimista” que a pauta será aprovada. Ele divulgou um vídeo, na última semana, em que classifica a medida como “questão de justiça”.

“Eu estou convencido de que o presidente do Senado, Alcolumbre, e o presidente da Câmara, Hugo Motta, vão votar, e a gente vai aprovar o fim da taxação das blusinhas. Por quê? Porque é uma questão de justiça. A classe média alta viaja para fora, ela pode gastar 2 mil dólares e não paga imposto. Por que uma pessoa da periferia, uma mulher, uma jovem, um menino, compra um negócio de 50 dólares e querem taxar ele?”, questionou.

Relação retomada

A relação entre Lula e Alcolumbre se deteriorou depois da rejeição do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, a uma vaga ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Foi a primeira vez desde 1894 que o Senado derrubou indicação de um presidente à Suprema Corte.

Na época, Alcolumbre foi apontado como responsável por articular a rejeição de Messias. Ele tinha preferência pelo senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), que acabou preterido por Lula.

O episódio provocou fissura na relação entre os dois, que durou cerca de três meses.

A reaproximação só ocorreu após jantar promovido pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, em que o presidente da República e o senador retomaram o contato.

Depois, Lula e Alcolumbre estiveram juntos em outras três ocasiões — uma delas, em viagem ao Amapá para anunciar descobertas relacionadas ao petróleo na Margem Equatorial.

A retomada do diálogo ajudou a destravar matérias que estavam paradas no Senado há meses, como a PEC do fim da 6×1 e a PEC da Segurança Pública. Na última semana, Alcolumbre despachou os dois textos para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

(Metrópoles)

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