terça-feira, 24 de setembro de 2013

Semana Nacional de Doação de Órgãos estimula ato solidário de salvar vidas

Sensibilizar as pessoas sobre a importância da doação de órgãos é o principal mote da campanha desenvolvida pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Durante a Semana Nacional de Doação de Órgãos - iniciada nesta segunda-feira (23) e prosseguindo até domingo (29), a população contará com eventos pontuais e de mobilização.
A ABTO projetou em 2007 uma meta para atingir em 2017, o objetivo é contar com pelo menos 20 doadores efetivos por milhão de população. Para se tornar um doador, é importante que a pessoa comunique à família sobre esta vontade, pois de acordo com a legislação dos transplantes no Brasil, a doação deverá ser consentida pelo familiar de até 2º grau. Essa conversa é fundamental para subsidiar a decisão da família na hora de doar os órgãos.
Impacto
Recentemente uma notícia causou espanto e provocou forte polêmica em redes sociais. O conde Chiquinho Scarpa anunciou que enterraria um carro no valor de R$ 1 milhão, segundo ele seu bem mais valioso. Crucificado pela ação, Scarpa segurou a notícia e ainda convocou a imprensa para cobrir o “enterro”. No dia da coletiva, outra surpresa. Toda a encenação, na verdade, era uma campanha de impacto para abrir a Semana Nacional de Doação de Órgãos.

“Eu fui julgado por querer enterrar uma Bentley, mas a verdade é que a grande maioria das pessoas enterra coisas muito mais valiosas que meu carro. Elas enterram corações, rins, fígados, pulmões, olhos. Isso sim que é um absurdo. Com tanta gente esperando por um transplante, você ser enterrado com seus órgãos saudáveis que poderiam salvar a vida de várias pessoas, é o maior desperdício do mundo. O meu Bentley não vale nada perto disso. Nenhuma riqueza, por maior que seja, é mais valiosa que um único órgão, porque nada é mais valioso do que uma vida", anunciou Scarpa.

Atuando com o foco de conscientizar a população para a falta de doadores, a campanha, preparada pela a agência Leo Burnett Tailor Made, em parceria com o conde Chiquinho Scarpa, acertou no alvo. A ideia é impactar uma questão que já deveria ser tratada com mais receptividade pela sociedade. De fato, enterrar órgãos saudáveis enquanto milhares de pessoas aguardam uma doação parece incoerente. No entanto, a desinformação e os tabus ainda formam grandes barreiras para o ato solidário. Estes fatores subsidiam a recusa de familiares em autorizar a doação. A conscientização permite que uma pessoa manifeste-se a favor do gesto. Isso é determinante para a mudança de concepção dos familiares.

Segundo o Dr. José Osmar Medina Pestana, presidente da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), a recusa dos familiares ainda é um dos motivos para a falta de doadores. “Sempre que o indivíduo se manifesta a favor da doação os familiares autorizam. Apostamos na adesão da sociedade, com apoio de profissionais de saúde e da mídia, para um dia tornar essa espera por um órgão menos longa e dolorosa”, afirma Medina.

Contexto no Ceará
No Ceará já foram realizadas de janeiro a setembro de 2013, 891 transplantes de órgãos e tecidos. Mas a fila continua grande. Cerca de 990 pessoas aguardam uma doação. Um rim transplantado pode transformar a vida de uma pessoa. Um coração doado pode salvar a vida de outra. Uma córnea nova possibilita ver a vida com outras cores. Em entrevista ao jornal Diário do Nordeste, a coordenadora da Central de Transplante no Estado, a nefrologista Eliana Barbosa, afirmou que o Estado já é referência nacional em transplantes, uma boa notícia, evidente. Contudo, ponderou Eliana, ainda é preciso avançar mais.

Neste contexto, as campanhas de conscientização são poderosas aliadas. Ações de impacto abrem os olhos da população e sensibilizam a sociedade para a necessidade de doar seus bens mais valiosos.

Doações de órgãos
Atualmente, conforme dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, cerca de 30 mil pessoas aguardam na fila de espera e, de cada 10 pessoas abordadas, 04 se negam a doar os órgãos de seus familiares. É preciso mudar essa matemática.

O trabalho realizado pela ABTO, em parceria com o Ministério da Saúde, dos governos estaduais e entidades médicas, vem surtindo efeito nos números de transplantes.  Até junho de 2013, o país teve 1.273 doadores de órgãos. Com esta marca, o Brasil ocupa o segundo lugar do mundo em número de transplantes. Porém, os números de doadores efetivos, por milhão de população, ainda são muito baixos em relação a outros países. Para se ter ideia, em 2011 o número chegou a 10,7, enquanto a Espanha, o melhor país em doação de órgãos, atingiu 35,3, seguidos por Croácia 35,0; Bélgica 29,3; Portugal 28,5; e EUA 26,0.

A maior lista de espera é por um rim – 20 mil pessoas. Em segundo lugar, estão os que precisam de transplante de córnea (6 mil). Em seguida, vem fígado, com 1.300 pessoas na lista de espera, e, por último, coração e pulmão, com 200 e 170 respectivamente. .

Os números de transplantes de órgãos realizados no país em 2013:
Órgãos    Total
Coração    126
Fígado    844
Pâncreas    15
Pâncreas/Rim    65
Pulmão    42
Rim    2.707
Total    3.799

Os interessados em se tornarem doadores podem conferir mais informações no site oficial da ABTO: http://www.abto.org.br/

Com informações da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos e do Diário do Nordeste