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quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Filha de Genoíno lança livro "Felicidade Fechada" em Fortaleza


José Genoíno e Miruna Genoíno estarão em Fortaleza, nesta sexta-feira (17), para o lançamento do livro "Felicidade Fechada", escrito pela filha do político petista sobre o processo e a condução do julgamento de seu pai na Ação Penal 470, conhecida popularmente como “Mensalão”.
Como salienta José Genoíno Posfácio da edição: “Este livro de Miruna é o contato vivo com a memória, olhando o presente e o futuro de uma maneira muito concreta”. A publicação ainda conta com prefácio do vereador eleito Eduardo Suplicy, amigo da família: “Miruna relata como seu pai havia tido ‘uma história brilhante, iluminada, cheia de reconhecimentos e vitórias, e de repente virou um condenado, um político sem princípios, alguém relacionado ao dinheiro e não à luta por igualdade e justiça”.
Condenado em 2012, José Genoíno ocuparia, desde a primeira acusação, em 2005 - ainda na função de presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) -, as principais manchetes de jornais, revistas, programas de TV e de rádio do Brasil e do mundo. Em seus escritos, Miruna pontua uma rede que não salta aos olhos imediatos da população brasileira: tessituras do longínquo e da proximidade no afeto, com as imagens “políticas e poéticas” evocadas pela autora ao se recordar do pai, ainda menino, que andava a pé por uma estrada de terra batida de 14 km para frequentar a escola no sertão do Ceará. Ou, ainda, trazer a lembrança no sofá da sala de visitas da casa da família: espaço de muitas alegrias, hesitações, como também de notícias que mudariam, temporariamente, o rumo de suas vidas.
Ao longo de 266 páginas, dividido em duas partes, Felicidade Fechada é um testemunho não apenas individual, mas, antes, um diálogo entre pai e filha que verbaliza, em seu íntimo como escritura, aquilo que perpassa o senso coletivo político. Isto se refletiu, por exemplo, na ajuda de desconhecidos em redes sociais – como o Facebook –quando a autora necessitava expor as verdadeiras notícias do processo, as angústias, anseios e incertezas, durante os anos da primeira delação premiada até a liberdade, em 2014.
Dividido em capítulos cronológicos, pontuados por lembranças do passado, a primeira parte do livro, com prefácio de Eduardo Suplicy, expõe o “como tudo isso começou”, desde o convite do PT para que Genoíno ocupasse o cargo de presidente nacional do partido, até a primeira delação premiada, em 2005, que colocou José Genoíno como réu do processo. Na sequência, apresenta a inversão entre as esferas da vida pública e privada da família; a notícia da internação do pai – que culminou numa cirurgia de dissecação da aorta, com 90% de chances de risco de morte– e o decreto de prisão em 13 de novembro de 2013.
O livro traz ainda as cartas trocadas entre 3 de maio e 11 de agosto de 2014, desde a volta de José Genoíno à Papuda (DF), após breve prisão domiciliar em Brasília (DF). Com as cartas, a edição também traz um Caderno de Fotos, composto por imagens diversas, desde desenhos dos netos Paulinha e Luís, em homenagem ao avô, a fotos em momentos de descontração da família e retratos de Genoíno pintados pela artista e companheira de vida e de luta desde os tempos da ditadura militar no Brasil.