sábado, 24 de novembro de 2018

Mais Médicos: 8 municípios têm 75% de médicos cubanos

O anúncio da partida de médicos cubanos que atuavam no programa Mais Médicos preocupou cidades de todo o Brasil e exigiu respostas rápidas do Ministério da Saúde. No Ceará, 118 cidades contam com atendimento de profissionais cubanos. No entanto, destas, pelo menos oito têm 75% do atendimento feito por esses profissionais. Algumas delas dependem totalmente do convênio com Cuba. É o caso de Moraújo e Miraíma.
Além de ter levantado preocupações de ordem epidemiológica devido à aproximação do período chuvoso, a interrupção da parceria também trouxe preocupações financeiras aos municípios. Com inscrições abertas na última quarta-feira, o Ministério da Saúde informou que o edital lançado em caráter emergencial para suprimento das vagas contabilizou 20 mil inscrições até ontem.
De acordo com a Comissão Coordenadora Estadual do Mais Médicos (CCE) no Ceará, com base em bancos de dados públicos (Formsus e Cnes) de outubro de 2018, há oito municípios cearenses nos quais os cubanos representam 75% ou mais dos médicos na atenção primária, o que os torna mais dependentes do atendimento. São eles Uruoca, Morada Nova, Morrinhos, Tamboril, Marco e Ararendá. As cidades de Moraújo e Miraíma são totalmente atendidas por médicos cubanos, com quatro e três profissionais respectivamente.
Enquanto organizações médicas acreditam que as vagas serão rapidamente repostas por profissionais brasileiros diante da grande procura nos primeiros momentos da inscrição, secretários de saúde temem a não fixação de alguns profissionais. Marcos Pinheiro, 42, morador de Morada Nova, conta que foi com os médicos cubanos que viu pela primeira vez atendimento médico regularizado na cidade
No Ceará, são 439 vagas em 115 municípios e quatro em Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs). As cidades de Caucaia, Maranguape e Uruburetama não integraram o edital. Todas com apenas um profissional registrado. Em Caucaia, a única médica cubana atua no distrito de Tucunduba, distante mais de 20 km do centro do município
Está marcada para o dia 12 de dezembro a data limite de permanência de médicos cubanos no Brasil. Conforme Gadyel Gonçalves, presidente da Associação de Municípios do Ceará (Aprece), com a adesão de médicos brasileiros ao edital, a expectativa é de que os municípios não tenham tanto impacto. "Temos de esperar acontecer. Essa questão da vinda dos cubanos facilitou muito o acesso da comunidade. A preocupação é não arranjar médico para localidades distantes, mas pelo que estamos vendo, se todas as vagas estiverem preenchidas, não teremos maiores prejuízos para os municípios", conclui.
O Sindicato dos Médicos do Ceará lançou programa de atendimento voluntário nas comunidades carentes no período de transição entre a saída de médicos cubanos e a contratação de novos profissionais.

(O Povo)