quinta-feira, 18 de outubro de 2018

PT promete ser oposição radical, mesmo com a esquerda dividida

As duras críticas do senador eleito Cid Gomes (PDT-CE) não foram suficientes para levar o partido a fazer uma autocrítica. Elas representam, no entanto, os sentimentos de esquerda, segundo especialistas, prestes a implodir. Embora se recuse a falar dos erros do passado, a cúpula petista enxerga as dificuldades eleitorais apontadas nas pesquisas e se posiciona extraoficialmente como uma forte possibilidade de oposição ao próximo governo. Se Fernando Haddad (PT) não sair vitorioso do segundo turno, Jair Bolsonaro (PSL) terá pela fente um exército de parlamentares dispostos a dificultar a governabilidade nos próximos quatro anos.
Fundado em 1980, o PT passou dois terços de sua existência na oposição, e mudando de lado de acordo com a conveniência. Quando Fernando Collor (PRN) sofreu impeachment, defendia que esse processo era o único caminho para manter a democracia. Anos depois, com uma presidente petista na mesma situação, afirmou que tirar Dilma Rousseff (PT) do Planalto era um exemplo do autoritarismo na política e qualificou a situação como “um golpe de Estado”. O professor de história política contemporânea da Universidade de Brasília (UnB) Antônio José Barbosa acredita que, dada a história do partido, a oposição do PT poderá trazer radicalismos.
“Os petistas não vão dar sossego e, com isso, existe uma grande possibilidade de haver uma radicalização. Pela sobrevivência, o PT vai levar ao extremo sua capacidade de fazer oposição. Resta saber como Bolsonaro reagiria. Será um cenário bem complicado em um Congresso extremamente conservador, com um Executivo na mesma linha”, detalha Barbosa. O PT elegeu a maior bancada da Câmara neste ano, com 56 deputados, dos quais 14 são estreantes. Mas a segunda maior força será o PSL, partido que lançou Bolsonaro e se articula para conseguir a Presidência da Casa.

(CB)