segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Comunidade acadêmica vive clima de tensão na UFC graças ao acirramento político nas eleições

Reflexo do acirramento político nas Eleições de 2018, o clima de tensão entre quem diverge chegou à Universidade Federal do Ceará (UFC). Nos últimos dias, uma série de notas foram lançadas por entidades como Adufc, Sintufc e Comissão de Direitos Humanos, além da própria Reitoria da instituição, alertando para a gravidade do momento no ambiente acadêmico. Tradicionalmente um local tido de posturas de esquerda, quem defende essas bandeiras agora enfrenta um conflito ideológico cada vez mais violento com militantes e eleitores de direita.
No último dia 12 de outubro, a UFC emitiu nota condenando radicalismos de “quaisquer colorações” dentro da universidade. No texto, o reitor Henry de Holanda Campus não citou nominalmente os candidatos a presidência e nem defendeu um dos lados que estarão na disputa do 2º turno das eleições. No entanto, citou “atos de patrulhamento ideológico e intolerância explícita, que não condizem com a tradição de liberdade e pluralidade característica do ambiente acadêmico.”

Caso de maior repercussão
Um desses atos tratou-se do caso do professor Júlio Araújo, do curso de Letras, que foi agredido dentro do campus. Ele conta que foi intimidado por um grupo de homens que foram homofóbicos e racistas, todos trajados com blusas de Jair Bolsonaro. Um Boletim de Ocorrência foi registrado.
Em relato no Facebook, Júlio conta como foi intimidado. O depoimento teve mais de 1500 compartilhamentos.
“Ele deve saber quem eu sou porque disse em voz alta ao me ver passar pelo bosque do Curso de Letras: ‘Quero só ver como ficarão os professores viados e negros dessa porcaria de universidade! Deixe meu presidente assumir, sua bicha preta’. Nem olhei pra trás, mas isso não me impediu de ouvir as risadas debochadas dele e de outros que estavam com ele! Todos estavam vestindo uma blusa preta com o nome do coiso. Apesar de eu ter ficado muito assustado, caminhei em frente sem jamais olhar pra trás. Gente, eu cheguei em meu carro me tremendo e lá dentro chorei muito antes de vir pra casa. Eu, realmente, senti muito medo”, relata o professor.
De acordo com a nota, a Comissão diz que não foi um caso isolado de “ataques aos direitos fundamentais, mas de fruto de movimento que representa um profundo retrocesso nas garantias e direitos, individuais e coletivos”, ressaltando os princípios da universidade.
“O ambiente universitário tem sido palco de reiterados confrontos que extrapolam os limites do debate saudável e construtivo próprios de uma universidade pautada nos princípios da democracia, liberdade, pluralidade de ideias e respeito às diferenças”, diz em um dos trechos. Veja a nota completa.

(TC)