terça-feira, 23 de outubro de 2018

Cid pede a lideranças do PDT engajamento na campanha de Haddad

O senador eleito Cid Gomes (PDT) afirmou ontem que está pedindo a lideranças de seu partido que se empenhem na reta final da campanha de Fernando Haddad (PT) à Presidência. O envolvimento contrasta com a ausência do irmão dele, Ciro Gomes (PDT), no Exterior desde o fim do 1º turno, e com a determinação do PDT de não mobilizar lideranças e militantes para eleger o candidato petista.
A falta de engajamento do partido brizolista na campanha é tratada pelo PT cearense como assunto superado. "Eu estou publicamente defendendo o nome do Haddad. Gravei vídeo, colei adesivo, estou ligando para lideranças do meu partido pedindo o empenho deles nessa reta final", afirmou Cid.
Entretanto, o Ferreira Gomes disse estar evitando participar de eventos com a presença de militantes petistas pela "possibilidade de uma vaia, o que já aconteceu". A declaração se refere a bate-boca durante ato pró-Haddad no último dia 15. Na ocasião, ele fez graves críticas ao PT, acusando o partido de aparelhamento e chegou a chamar de "babacas" e "otários" os que protestavam contra o seu discurso.
Segundo o deputado federal José Guimarães (PT), coordenador da campanha de Haddad no Ceará, o episódio é "página virada". A ausência dos Ferreira Gomes nos palanques e a declaração de apoio crítico são vistas como uma postura "dentro da normalidade", que não causa nem frustração nem alegria.
"O que está em jogo não é o PT, é a democracia, é o País, é o estado democrático. O que está em jogo é a democracia versus ditadura militar travestida de democracia", afirma Guimarães.
O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi reiterou "apoio crítico" ao candidato petista. "Vamos votar no Haddad, mas a direção não vai se envolver na coordenação de campanha", declarou, acrescentando que "os filiados (do PDT) estão todos liberados para fazer campanha".
O apoio dos irmãos Ferreira Gomes poderia ter o condão de proporcionar a transferência de 12,47% do eleitorado, que correspondem aos votos recebidos por Ciro, além de conquistar novos votos.
Entretanto, o presidenciável do PDT continua de férias no Exterior, desde a derrota na primeira fase do pleito eleitoral. Sem dar entrevistas desde então, Ciro respondeu a perguntas de uma brasileira, a gestora cultural Érika Capelo, na última sexta-feira, 19.
De acordo com a coluna de Mônica Bergamo publicada ontem na Folha de S. Paulo, Érika encontrou Ciro no metrô de Paris e perguntou a ele por que não está no Brasil. O pedetista respondeu a ela que "realmente está muito difícil" e que o Brasil "está doente". E continuou: "Mas eu estou muito cansado. Estou batalhando há três anos. E não dá mais".
Segundo Érika, Ciro disse também que o PT "errou" porque preferiu "disputar com Bolsonaro no 2º turno". Ela perguntou ainda se ele gostaria de ter recebido o apoio do PT. Ciro elogiou Haddad, mas comentou que a esquerda deveria ter debatido para escolher o candidato mais apropriado para esse momento.
A previsão é que Ciro chegue do Exterior na sexta-feira, conforme informou Cid. Entretanto, ele não soube dizer se o irmão participará de alguma atividade da campanha de Haddad. "Não sei, lhe digo com toda franqueza que não falei nenhuma vez com o Ciro desde que ele viajou"

(O Povo)