quarta-feira, 11 de julho de 2018

Motoristas da Guanabara e Via Metro - Greve de rodoviários no Ceará atinge circulação de 120 ônibus nesta quarta, 11


Em greve desde sábado, 7, trabalhadores das empresas de transporte rodoviário paralisaram as atividades durante três horas desta quarta-feira, 11. Cerca 120 ônibus deixaram de circular impactando no horário das viagens. Na rodoviária de Juazeiro do Norte, entre as 4 horas e as 7 horas da manhã, cerca de 70 ônibus suspenderam os serviços. Em Fortaleza, outros 50 ônibus tiveram a mesma prática entre as 5 horas e as 8 horas da manhã. Novas paralisações podem ocorrer ao longo do dia.
Presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Transporte Rodoviário de Passageiros Intermunicipal e Interestadual do Estado do Ceará (Sinteti) , Carlos Jefferson afirma que a greve deve continuar por tempo indeterminado com paralisações parciais. A falta de perspectiva para a volta da normalidade nas rodoviarias cearenses está no impasse entre o novo acordo de trabalho proposto pelo sindicato das empresas aos trabalhadores.
Após três meses de negociações, Jefferson pontua as divergências de interesses. O representante dos trabalhadores rodoviários denuncia as empresas por quererem diminuir a jornada de trabalho, direitos trabalhistas — folgas, hora-extra, vale-refeição, passe-livre. Além de demitir funcionários para contratar jovens aprendizes. “As empresas estão usando no momento a lei do jovem aprendiz. Estão demitindo um cobrador que ganha R$ 1.260 com direito a vale refeição e plano de saúde. Contratando jovem aprendiz para ganhar R$ 583”, pontua Jefferson. De acordo com ele, estão as empresas estão "ultrapassando o limite de demissões".
Por outro lado, do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Intermunicipal e Interestadual do Ceará (Sinterônibus), por meio do presidente Mário Albuquerque, afirma que as empresas não estão demitindo profissionais para a contratação de trabalhadores oriundos do programa federal Jovem Aprendiz. De acordo com ele, as contratações estão dentro do limite permitido por lei. “Eu quero que me mostre (a irregularidade). Existe uma fiscalização constante do Ministério Público. Demissão sempre existe, há uma rotatividade comum dentro das empresas”, defende.
Carlos Jefferson explica que a categoria não aceitou a proposta de jornada reduzida de 44 para 24 horas semanais, o que implicaria em redução de até 50% no salário de parte dos profissionais e perda do vale-refeição.
Mário afirma que a história está sendo distorcida. A versão do representante dos patrões é de que apenas uma parte dos funcionários teria carga horária de trabalho reduzida. A proposta, segundo ele, é contratar os motoristas para quando as demandas foram maiores, que chamou de “complemento”. Mário expõe ainda a possibilidade de o funcionário trabalhar em outro turno e empresa, já que terá um horário livre.
A luta entre as classes permanece. De acordo com Mário, não há expectativa de consenso entre as partes devido à “intransigência” dos trabalhadores. Representante dos trabalhadores, Jefferson contesta proposta apresentada pelos empresários.
(O Povo)