sexta-feira, 11 de maio de 2018

PDT negocia abandonar candidaturas estaduais para atrair PSB em apoio a Ciro



Após a decisão do ex-ministro Joaquim Barbosa (PSB) de não entrar na disputa para presidente da República, o PDT tem estreitado as negociações para levar o PSB a apoiar a campanha do ex-governador do Ceará Ciro Gomes. Os pedetistas sinalizaram desistir das candidaturas a governador em estados onde o PSB possui nomes competitivos em troca da aliança. Partido também desenha aliança com o PCdoB.
No último congresso do PSB, realizado em março, ficou definida como prioridade a eleição de dez governadores. A possibilidade de ganhar terreno nos estados em que o PDT tem candidaturas possíveis é considerada uma boa estratégia para definir a união do partido com Ciro em outubro.
Pela estratégia, o PDT poderá abrir mão de lançar candidatura na Paraíba, onde a vice-governadora Lígia Feliciano tinha intenção de entrar na disputa, além do Distrito Federal, onde o atual presidente da Câmara Legislativa, Joe Valle, se articulava para a competir.
O Amapá é o único estado onde o cenário político poderia atrapalhar a negociação entre os dois partidos. Neste estado, PSB e PDT são adversários em uma acirrada disputa. O atual governador Waldez Góes (PDT) vai concorrer à reeleição com o senador João Capiberibe, que já lançou pré-candidatura pelo PSB.
"Mas não é essa questão (de divergências no Amapá) que vai impedir o apoio. Vamos correr atrás e buscar a formação dessa aliança (entre PDT e PSB)"
O presidente do PDT Ceará, deputado federal André Figueiredo, confirmou que as conversas com o PSB foram reiniciadas após saída de Joaquim Barbosa, mas disse que a articulação está em “fase embrionária”. Conforme o dirigente, o PDT está disposto a apoiar os candidatos do PSB nos estados onde competem e confirma que a única dificuldade seria a composição no Amapá. “Mas não é essa questão que vai impedir o apoio. Vamos correr atrás e buscar a formação dessa aliança”, disse.
O deputado Odorico Monteiro, presidente estadual do PSB, compartilha desse pensamento. Ele disse que a aliança é possível e que a bancada pessebista tem se mostrado favorável à composição. “O que tem que acontecer agora é conversa e isso já está acontecendo. Os dois presidentes dos partidos já vinham conversando. O Ciro é um quadro muito respeitado pelo PSB”, defendeu.
Para Odorico, a divergência no Amapá não é tratada como uma “impossibilidade” para a formação da aliança. “Pelo que tenho conversado com o Capiberibe, isso se resolve. Ele disse que é só estabelecer parâmetros específicos”, completou. Sinalizações de aliança também se desenham entre o PDT e o PCdoB.
Esta semana, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), defendeu que o seu partido desistisse da candidatura de Manuela d’Ávila para apoiar Ciro. Em resposta a Dino, a pré-candidata lançou nota dizendo que as declarações do governador são um “chamado à razão e ao diálogo”. “Nossas diferenças são pequenas diante dos desafios do nosso País e de nosso campo. Estou aberta – e todos deveriam estar também – para a construção de uma saída que una o conjunto da esquerda”, escreveu.
(Com agências)