quarta-feira, 23 de maio de 2018

Eunício diz que está conversando com PT e PDT e não sai do MDB


O presidente do Congresso, senador Eunício Oliveira (MDB-CE), reagiu ao recado do presidente Michel Temer que ontem convidou a se retirar do partido quem se recusar a apoiar a candidatura do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles ao Palácio do Planalto. Filiado há 45 anos no MDB, Eunício avisa, em entrevista ao Estado, que não vai seguir a recomendação. “Não vou sair e ninguém me tira.” Eunício também criticou a política de preço dos combustíveis implantada pelo presidente da Petrobrás, Pedro Parente. “Entre os ‘Parentes’ e os consumidores eu vou ficar com os consumidores”, afirma.
O senhor vai apoiar Meirelles ou seguir a recomendação do presidente Michel Temer?
Eu vou ficar no MDB e vou tomar a minha própria decisão em relação a coligações estaduais e à Presidência da República. Não vou sair e ninguém me tira. Tenho 45 anos de partido e uma única filiação. Nasci no MDB, numa família de emedebistas.
Por que não apoiar Meirelles?
Eu lamento que a direção nacional não tenha construído uma candidatura viável do partido. Aqui no Senado eu já vi gente se filiando de manhã para ocupar lugares na Mesa Diretora à noite. Sinceramente, eu não tenho nenhuma relação pessoal com o ex-ministro Meirelles. O conheci como presidente do BC (Banco Central). Ele nunca exerceu nenhum mandato pelo MDB. Não sei nem por quais partidos ele passou. Sei que do MDB ele não é.
O senhor está confrontando o presidente da República?
O presidente da República é um filiado como outro qualquer. Dentro do MDB ninguém é maior do que ninguém. Esse é o MDB que eu nasci nele e vou morrer nele. Não vou aceitar que ninguém me faça cobrança e me ameace. Já tive muita divergência dentro do partido, mas nunca saí e não vou mudar. Não vou cumprir missão de quem quer que seja. Vou morrer com a bandeira do Brasil em cima do caixão, a do Ceará e a do MDB.
O partido sabe da sua posição?
Ninguém nunca botou cabresto ou uma corda na cabeça ou no pescoço e laçou para levar para onde quis. Comuniquei ao presidente da República em novembro. Já este ano, numa conversa com o presidente, ele disse que eu sempre estive liberado dentro do partido.
Quem os senhor vai apoiar?
Estou conversando com minha coligação (que inclui o PT, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o PDT, do presidenciável Ciro Gomes).
Meirelles é um candidato ruim? Nunca comi uma colher de sal com ele. Estou há quase dois anos na presidência do Congresso e nunca tive relacionamento com ele quando era ministro da Fazenda. Acredito que seja um brasileiro capaz. Agora, uma coisa é um brasileiro capaz e outra é um militante partidário.
O senhor acha que Pedro Parente está errando na Petrobrás? É preciso rever a política de preço da empresa?
É outro brasileiro por quem eu tenho respeito à distância.
O senhor defende a saída de Parente da Petrobrás?
Entre os ‘Parentes’ e os consumidores, eu vou ficar com os consumidores. É abusivo o que aconteceu no Brasil. Olha que eu sou ponderado. São 11 aumentos em 16 dias. E que ninguém venha me dizer que foi em função do dólar. Essa explicação não me convence. Tenho mandato há 20 anos, não tenho hábito de fazer bravata, buscar protagonista.
O senhor concordou em não votar a MP 814, que destravava leilão das distribuidoras da Eletrobras no Norte e Nordeste?
Já temos o aumento do combustível e agora vamos aprovar outra MP preparativa para o aumento de energia? Pelo amor de Deus! Energia, gasolina, gás de cozinha. As pessoas estão com medo de voltar ao fogão a lenha e ainda serem penalizadas pelo Ibama. Por isso montamos uma comissão geral. O ministro da Fazenda, o presidente do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), os representante das distribuidoras vão ter que se explicar.
O governo quer retomar a discussão da reforma da Previdência. O senhor é contra retomar o debate agora…
A Previdência tem que ser discutida pelos candidatos à Presidência da República para que as pessoas escolham a proposta que querem apoiar. Não é esse governo que tem que fazer a pauta da Previdência.
(Coluna Andreza Matias/Estadão)