quarta-feira, 30 de maio de 2018

Em quatro meses, 1.000 pessoas dão entrada no Hospital Regional do Cariri, vítimas de acidente de trânsito


Não foi acidente! A campanha realizada pela Sociedade Brasileira de Atendimento Integrado ao Traumatizado (SBAIT), em alusão ao Maio Amarelo, é na realidade um alerta para o crescente número de pessoas que fizeram uso de bebida alcoólica e logo depois se envolveram em um acidente de trânsito, ou que atenderam o telefone enquanto dirigiam, atos que fazem com que a “vítima” assuma a responsabilidade de um acidente.
No Hospital Regional do Cariri (HRC), do Governo do Estado do Ceará, com perfil de alta complexidade, todos os dia cerca de nove pessoas dão entrada na emergência vítimas de acidente de trânsito. Os quatro primeiros meses de 2018 já somam 1125 atendimentos que representam quase 50% do total de atendimentos realizados em todo o ano de 2017. Desses, 74% são homens, 46% com idade média de 22 a 40 anos, 64% estavam em uma motocicleta, sendo que 41% não faziam uso de equipamentos de segurança (capacete). Já os motoristas, apenas 16% usavam o cinto de segurança.
O trauma representa hoje 53% do fluxo de cirurgias do Hospital Regional do Cariri.
“Hoje, como destaca a Organização Mundial de Saúde, o trauma é um problema de saúde pública, já considerado uma doença. Para se ter ideia, o trauma mata mais do que três grandes endemias como: malária, tuberculose e AIDS.
Aqui no HRC, o grande fluxo do centro cirúrgico é o trauma, ou seja, pacientes vítimas de acidente de trânsito e muitos acabam tendo que realizar mais de um procedimento cirúrgico. O que nos preocupa é que muitos desses acidentes poderiam ser evitados com medidas educativas e de conscientização no trânsito”, destaca a coordenadora da cirurgia geral do HRC, Daisy Menezes. 
A relação álcool e direção representa outro agravo. Pelo menos 53% dos acidentados assumem ter feito uso de bebida alcoólica antes do acidente. Como é o caso de Niraldo Ferreira internado em estado grave no HRC, com politrauma após a combinação bebida X moto.
“Esse não foi o primeiro acidente do Niraldo, porém foi o primeiro grave por beber e pilotar a moto. Pra nós da família, é muito sofrimento vê-lo nessa situação, sofre ele e sofre a gente. Porém, isso poderia ter sido evitado se ele simplesmente não tivesse bebido, ou se não tivesse pego a moto depois de beber. Ele só não morreu porque estava usando o capacete. Deus está dando mais uma chance para o Niraldo. O que a gente espera é que esse erro não se repita e que ele possa recomeçar do zero, longe da bebida” lamentou a esposa do paciente, Tereza Cristina Bento Cipriano.
(Assessoria de Imprensa)