segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Crônica de Renato Cassimiro: "Boa Tarde para Você, Tarso Magno"


Boa Tarde para Você, José Tarso Magno Teixeira da Silva
Amanhece esta segunda feira de uma quase véspera da natividade em meio a notícias de grande vexame e que compromete mais uma vez e de forma vergonhosa a casa que até poderia parecer a nossa certeza de que todo o poder emana do povo.
É profundamente triste para cada um de nós, Dr. Tarso Magno, insignificantes e indefesos votantes desta comarca que não encontram mais nenhum alento para que nos derramemos em respeito cívico pela nossa representação no legislativo.
Há poucos dias, embora não tenha me dirigido particularmente a vossa senhoria, eu bradei daqui para que a câmara municipal não aprovasse o tal projeto do PMAT, sob a vossa relatoria, pelos motivos que beiravam o desrespeito na instrução, a leviandade dos ajustes e a inoportunidade de se fazer algo que nos endividava em valor per capita descomunal.
Não encontrei na sua conduta, Dr. Tarso, felizmente, nada que não se assemelhasse ao que se esperava de um representante que se esforçava para um mínimo de decência a ponto de honrar esta dignidade que lhe foi conferida.
Mas, forças obscuras de plantão tornaram enfeada esta já triste e pobre cena do legislativo, como se isto fosse a nossa cara.
Onde foi que nos distraímos para que o nosso zelo e preocupações se assemelhassem a este jogo sujo de conchavos e de negócios imundos, entre legislativo e executivo?
Felizmente, e escrevo isto à altura de uma expectativa para que nada se reverta, por sua lavra e do meritíssimo doutor juiz Acelino Jácome, a tal autorização negociada no escuso das madrugadas, caiu pela evidência podre de um projeto, eivado de ilegalidades, e marcado pela omissão de seus defensores.
Não bastasse esta queda que todos nós levamos, Dr. Tarso, pois isto encerra uma das muitas frustrações desta presente legislatura, a besta voltou e nos deu um grande coice para nos pregar a peça de que mais lama correu e ainda corre na velha intendência.
E novamente a Câmara Municipal de Juazeiro do Norte mergulhou nos piores espaços das folhas da mídia para ser objeto de um caso policial, pois gente daí, foi denunciada pelo cometimento dos crimes de ordenação de despesa não autorizada; aumento injustificado de despesa com pessoal; falsidade ideológica; uso de documento falso; associação criminosa; peculato em concurso de pessoas; crime de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores.
O que mais, Dr. Tarso, vamos ainda esperar deste poder, a partir mesmo de um ex-presidente, que chega a ser surpreendente pela ousadia, desfaçatez e irresponsabilidade?
Fatos como estes trazem para dentro de nós todas as angústias da vivência de uma crise ética e moral destes novos e conturbados tempos, coisa que se abate sobre todos nós, geradora de incertezas e perplexidades, e extremamente perversa ao nos revelar a criminosa relativização de valores que nos orientam para uma melhor visão do mundo.
Deixamos entre pessoas como vossa excelência, as esperanças desta pequena comunidade que desde tão antigamente, ora e trabalha, fazendo uma parte substancial que lhe cabe para prover todas as demais condições de nossa sociedade, enquanto apenas e principalmente fazemos isto, como exercício digno e honrado de nossa cidadania.
Vá em frente, Dr. Tarso, propague entre outros de boa vontade o nosso desconforto, a nossa indignação, a nossa revolta, e nunca caia em tentação a ponto de nos trair, para que de tão diluído esforço ainda nos venha este lenitivo com o qual sempre tentaremos superar as nossas próprias dificuldades, custe lá o que custar.
(Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, pelo jornalista João Hilário, em 22.12.2014)