quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Crônica de Renato Casimiro - Boa Tarde para você, Vandinho Pereira


Boa Tarde para Você, Vanderlúcio Lopes Pereira
A primeira coisa que desejo dizer-lhe, Vandinho Pereira, é que neste ano que estamos encerrando, frequentemente eu estive à frente da televisão para vê-lo conduzir, e com tal entusiasmo, o Ceará Diverso, e estas foram oportunidades de grande enlevo, a partir das quais me tornei seu admirador.
Pouquíssima coisa desta nossa televisão, e lamentavelmente da produção local, se assemelha em cuidados e conteúdos como o programa que você vem apresentando na Tv Verde Vale, há pelo menos sete anos. 
Isto necessita ser bem visto e assistido, pois não há como esconder que vivemos numa região de grandes predicados culturais e populares, algo que está permanentemente exigindo apoio e oportunidade de divulgação para fortalecê-los como legítimas e valiosas manifestações artísticas.
O que mais me chama a atenção, Vandinho, é o modo como a partir da cantoria, especialmente, você tem feito uma grande animação cultural pela mídia televisiva, talvez a mais importante que ora se realize cotidianamente, dada a frequência de como ela acontece através do programa e de outras atividades como festivais de cantadores e noites de violas.
Há na sua agitação, uma riqueza que se espalha pelos mais diversos ambientes, itinerante por tantas comunidades e centros culturais, para realizar programações que contemplam lançamentos de cordéis, CDs e DVDs, livros e apresentações de um sem número de cantadores e mestres desta cultura popular.
Mas é isto mesmo, Vandinho, pois a cultura que você nos apresenta nesta diversidade de Ceará, que é um ótimo espelho de Nordeste e de Brasil, é a consequência inevitável da mais ampla interação entre o povo e o seu ambiente, e que se manifesta por crenças, pela arte, pela linguagem, pelos hábitos, pelas tradições, pelo folclore, pelo artesanato e por seus costumes.
O seu programa é rico nesta diversidade, desde a boca de cena que o ambienta e segue pelo roteiro no qual se inserem personagens, artistas e circunstâncias da mais expressiva riqueza cultural de nossa gente.
Assisti-lo, pelo menos para mim, é experimentar um sensação gratificante que nos coloca ao lado de um gênero que ainda padece de largo preconceito, como se o verso popular fosse a imagem do arcaico e do ultrapassado, algo como a arte de um analfabeto, como nos adverte Pedro Ernesto Filho, no seu mais recente e belo trabalho sobre a Cantoria.
O seu notável esforço, Vandinho, é parte desta cruzada pela desmistificação destes conceitos e preconceitos, principalmente para não estender uma polêmica a partir de uma segregação desinteligente e que estabelece confrontos desnecessários, como se tivéssemos polos de cultura de elite e polos de cultura popular.
O que o Ceará Diverso nos mostra a cada dia está verdadeiramente impregnado de uma genialidade construída por tradições e costumes e que resiste a mais leviana insinuação de que se trata de algo superficial, não deixando de contribuir para fortalecer tantos artistas na sua própria profissão.
Desejo também enaltecer este espírito que sua ação exerce frente a este programa, promovendo em suas edições o esclarecimento, o conhecimento pedagogicamente apresentado para suportar uma mensagem que nos assegura o quanto esta cultura nos deleita, mas principalmente nos enriquece.
Eu o cumprimento com entusiasmo, Vandinho Pereira, porque neste mister você também se tornou um  grande mestre.

Crônica lida durante o Jornal da Tarde, da FM Padre Cícero, Juazeiro do Norte, em 17.12.2014