terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Vereador denuncia outra tentativa de corrupção no Crato

Como prometido, o vereador Bebeto Anastácio jogou mais lenha na fogueira do "Mensalinho do Crato". Durante a última sessão do ano no legislativo cratense, ocorrida nesta segunda-feira (23), Bebeto decidiu revelar alguns trechos do inquérito que está sendo apurado pelo Ministério Público contra o prefeito Ronaldo Gomes de Mattos (PMDB) e mais 13 vereadores.
Segundo palavras de Bebeto Anastácio, uma segunda conversa envolvendo o prefeito Ronaldo e mais dois vereadores teria ocorrido, após o primeiro encontro entre Ronaldo e o vereador Dárcio Luiz. Nesta segunda "investida", acusou Bebeto, que o prefeito teria oferecido R$ 70 mil e mais uma cavalo para  dois vereadores votar pela desaprovação das contas do ex-prefeito Samuel Araripe. "O  mais interessante é que dois dias depois, um dos vereadores votou pela desaprovação das contas", disse Bebeto Anastácio, em plenário. Bebeto disse ainda que o prefeito e um empresário apoiador de sua campanha teriam ido a casa de dois vereadores para tentar convencê-los em votar contra as contas do ex-prefeito.
Ainda conforme, o denunciante, o Ministério Público investiga também esse diálogo. A previsão é de que logo após a volta do recesso parlamentar, o Ministério Público possa se pronunciar sobre as denúncias.
ENTENDA O CASO.
Em outubro passado, o Crato foi sacudido com denúncias da existência de mensalão.
Treze vereadores teriam recebido do prefeito Ronaldo Gomes de Mattos, a importância de R$ 50 mil, cada, para desaprovar as contas do ex-prefeito Samuel Araripe, com o objetivo de torná-lo inelegível durante a Justiça Eleitoral.
Como prova, um grupo de vereadores apresentou à Justiça e a população, gravações da negociata envolvendo o o vereador Dárcio Luiz e o ex-prefeito Samuel Araripe. Em alguns trechos, Dárcio Luiz diz que 13 vereadores, inclusive ele, votaram conforme acordo com Ronaldo.
Em  novembro, a oposição tentou instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as denúncias, mas não obteve êxito. O pedido foi rejeitado pela maioria dos vereadores.
No início deste mês, depois de quase três meses de silêncio, a Justiça se pronunciou através do Tribunal de Justiça do Ceará, que autorizou o Ministério Público a investigar a denúncia e o prefeito Ronaldo Gomes de Mattos.